Estelionatária denunciada pelo MPCE é presa em Caucaia

A Polícia Civil prendeu nessa segunda-feira (20/07), em Caucaia, estelionatária foragida há cerca de um ano e denunciada pelo Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), por meio da Promotoria de Justiça de Horizonte. De acordo com o MPCE, a denunciada infringiu por sete vezes o artigo 357, parágrafo 1º cumulado com o artigo 69, ambos dispostos no Código Penal Brasileiro. Os artigos referem-se, respectivamente, ao crime de exploração de prestígio e a concurso material. A prisão foi deferida pela 2ª Vara da Comarca de Horizonte com base na denúncia oferecida pelo Ministério Público em 17 de dezembro de 2018.

Na denúncia recebida pela Justiça em desfavor de Geisiane Pereira de Araújo, consta que, entre dezembro de 2017 e agosto de 2018, a denunciada por diversas vezes e em vários locais, solicitou, cobrou e obteve para si, vantagem e promessa de vantagem financeira das vítimas a pretexto de possuir influências e privilégios junto ao juiz da então Vara Única da Comarca de Horizonte e à promotora de Justiça de Horizonte, no exercício das funções, alegando que a vantagem também seria destinada a estes. Dessa forma, a denunciada utilizou-se de meio fraudulento para angariar e convencer as vítimas, solicitando quantias em dinheiro afirmando que parte dos valores seria entregue ao magistrado e à representante do Ministério Público, insinuando assim situação de suborno referente a tais autoridades.

Segundo a titular da 1ª Promotoria de Justiça de Horizonte, promotora de Justiça Maurícia Furlani, essa investigação começou em 2018, quando foi identificada que a denunciada comparecia ao Fórum de Horizonte e pedia acesso a vários processos públicos, em que ela não era parte. Além disso, ela observava o atendimento de pessoas pela Defensoria Pública e, depois, as abordava no prédio do Fórum prometendo facilidade em troca de dinheiro. “Às vezes, ela prometia que iria soltar algum preso ou que a pessoa iria ganhar uma causa e, na verdade, ela não fazia nada. Ela pegava esse dinheiro e desviava para proveito próprio. Ela chegou a alegar a algumas vítimas que era namorada de um juiz. E nunca teve nada com um juiz. Em alguns casos, ela prometia liberdade ao preso e quando o preso ia para a audiência de custódia, ela dizia, quando o preso não era solto – porque não tinha nenhuma intervenção dela –, que a culpa era da Promotoria”, detalha a promotora.

Outro caso foi relacionado a uma indenização. “A denunciada pediu dinheiro a uma vítima, prometendo que daria esse valor ao juiz e que a vítima, em troca, receberia uma indenização. E isso tudo foi descoberto quando a vítima procurou o juiz e disse que tinha mandado o dinheiro dele por ela, permitindo a identificação da denunciada. Assim, foram aparecendo outras vítimas e foi elaborado todo o procedimento demonstrando que ela fez o estelionato, como é que ela agia, como é que ela abordava as vítimas. A prisão foi decretada há mais de um ano e agora ela foi presa”, explica a promotora Maurícia Furlani. A representante do MPCE ressalta, ainda, que caso haja outras vítimas, estas devem registrar o fato na Delegacia de Polícia para apuração.