Foto: Divulgação

Eu te chamei aqui para agradecer pelo seu ato de bravura, porque apesar de estar de folga, sozinha e principalmente por estar gestante, você fez exatamente o que jurou fazer, defender a sociedade acima de tudo. Então restam só elogios a sua pessoa”, com essas palavras, o delegado geral da Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE), Marcus Rattacaso, agradeceu, em um encontro, na manhã dessa terça-feira (6), à escrivã Tárgilla Bié Brito, em nome da instituição, pelo ato de bravura ao salvar dois torcedores, pai e filho, de uma agressão cometida por diversos homens. A ação ocorreu, no último domingo (4), no bairro Serrinha, em Fortaleza.

Tárgilla Brito é escrivã de Polícia Civil há pouco mais de um ano, e apesar da pouca idade, 25 anos, ela já foi guarda municipal de Fortaleza durante três anos. Tárgilla está grávida de cinco meses da sua primeira filha: a Cecília. E foi justamente pensando como mãe, que ela resolveu agir encerrando as agressões contra as vítimas. “Na hora que eu vi, eu pensei logo que matariam o rapaz e que poderia ser uma mãe chorando a perda de um filho. O adolescente que estava na garupa da moto e foi arrastado estava levando muitos chutes na cabeça. Eu sabia que se não fizesse nada, talvez aquele torcedor tivesse morrido ou até estivesse em coma, e teria uma mãe chorando junto com ele”, disse ela.

A escrivã, atualmente lotada na Delegacia Metropolitana de Horizonte, passava pelo local com seu esposo quando se deparou com a situação. Ela relembrou como tudo ocorreu. “Eu estava passando quando observei um grupo de torcedores que se aproximava. Quando eu olhei para o lado, uns rapazes chutaram a moto de um senhor que estava com a camisa do Ceará. A moto desequilibrou e caiu no canteiro central, foi quando um monte de gente foi para cima, tanto do senhor que pilotava quanto do adolescente. Eu imediatamente pensei que iriam matá-los. Foi quando eu saquei a arma e dei o primeiro disparo para cima, de advertência. Alguns se dispersaram, mas outros continuaram com as agressões. Então tive o ímpeto de correr e falei para parar. Foi quando dei o segundo disparo, mesmo assim, continuaram agredindo. Quando virei e atirei a terceira vez, um dos agressores chegou a reclamar que eu não poderia atirar nele e fez a menção de voltar. Nessa hora eu aponto a arma e grito que sou ‘polícia’, foi quando todos fugiram”, relembra Tárgilla.