Com apenas oito ocorrências registradas de roubo ou furto a instituições financeiras em 2020, o Estado do Ceará chega ao menor patamar desse índice criminal na série histórica e apresenta redução pelo quarto ano seguido. Em 2014, quando o índice começou a ser contabilizado, o Estado registrou 67 casos, caindo drasticamente 88% em relação aos casos de 2020. Em 2019, aconteceram 14 ações criminosas nos municípios cearenses, o que representa diminuição de 42,8% quando comparado aos oitos casos de 2020.

Fruto do investimento na formação de profissionais qualificados, ao mesmo tempo em que houve aquisição de novas tecnologias, o Sistema de Segurança Pública do Ceará avançou em inteligência para coibir essas práticas criminosas que modificam a rotina de moradores e funcionários das empresas. O golpe direto nas ações desses grupos criminosos é complementado com as prisões de seus integrantes e nas apreensões de armamento e outros recursos empregados pelos criminosos.

“O destaque desse bom resultado alcançado se deve aos homens e mulheres que fazem da segurança pública do Estado um organismo vivo e de excelência para combater grupos criminosos que desafiam a paz e a ordem pública no Estado. Nos últimos anos, o Governo do Estado convocou milhares de novos policiais que ajudaram a reforçar as equipes de policiamento ostensivo e de investigação. O investimento em tecnologia foi outra aposta que contribuiu para leitura de dados, levantamento de informações de inteligência e na tomada de decisão com mais precisão no intuito de desarticular grupos especializados em roubo a banco no Ceará”, exemplifica o secretário da Segurança Pública do Ceará, Sandro Caron.

Redução contínua

Pelo quarto ano consecutivo, os números de roubos ou furtos contra instituições financeiras apresentaram queda. Em 2016, quando o Estado registrava uma média de mais de cinco ocorrências por mês, esse número caiu para menos de um caso mensal em 2020. No ano passado, os meses de janeiro, maio, julho, agosto, outubro, novembro e dezembro não tiveram nenhum caso. Em 2016, foram 62 ocorrências nos doze meses. Nos anos seguintes, o número chegou à marca de 56 e 41, em 2017 e 2018, respectivamente. Em 2019, os registros desse tipo de crime caíram ainda mais: 14 casos. Com os oito casos de 2020, o Ceará alcançou a maior redução na série histórica e acumula quatro meses seguidos sem nenhuma ocorrência no Estado.

Qualificação profissional

Dentre os vários fatores que explicam o resultado positivo nos índices de crimes dessa natureza, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Estado do Ceará (SSPDS/CE) aponta o aumento do efetivo policial e a qualificação dos profissionais da segurança pública do Estado. É na Academia Estadual de Segurança Pública (Aesp), onde mais de 2.100 policiais civis e militares se aperfeiçoaram em cursos de Policiamento de Trânsito Urbano e Rodoviário, Policiamento de Divisas, de Operações Táticas Rurais, de Tripulante Operacional, de Operador de Drone, cursos voltados para integrar o Comando de Policiamento de Choque e diversas outras capacitações voltadas para a área de inteligência policial.

Inteligência e estratégia policial

Outro ponto determinante para atribuir à redução nos dados são as prisões e o caminho percorrido pelas investigações da Polícia Civil para capturar os suspeitos, ou seja, o trabalho de inteligência, como detalha o delegado geral da Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE), Marcus Rattacaso. “O sistema de segurança pública do Estado Ceará vem experimentando uma queda constante nas estatísticas de ações contra instituições financeiras. Esses resultados estão diretamente relacionados às políticas de segurança pública implementadas pela Secretaria da Segurança Pública, às ações ostensivas da Polícia Militar e, em especial, às investigações levadas a efeito pela Polícia Civil. As investigações vêm se aperfeiçoando dia a dia, com a inclusão das boas práticas da inteligência cibernética, bem como com as operações frequentes que são desenvolvidas contra os grupos criminosos que atuam ou insistem em atuar em nosso Estado”, destaca.

O reforço na inteligência policial nas delegacias, como a descentralização do Departamento de Inteligência Policial (DIP) a partir da criação de Núcleos Avançados de Inteligência (NAI) nas delegacias de Sobral, Crato, Crateús, Quixadá e Russas, explicam a excelência e qualidade das informações que são levantadas durante o aprofundamento das investigações sobre a atuação de grupos especializados. “Basicamente, a inteligência vem produzindo, na sua carteira de conhecimento, informações que subsidiam a Delegacia de Roubos e Furtos (DRF) e os demais distritos da Capital, Região Metropolitana, Interior Norte e Sul, a exatamente ter informações, que são substanciais para as operações policiais de localização e prisão desses criminosos”, completa Marcus Rattacaso.

Prisões de destaque

A consequência de um bom trabalho de investigação se traduz nas prisões e na desarticulação de integrantes de grupos especializados em roubos e furtos a agências bancárias, empresas de transporte de valores, caixas eletrônicos, postos e terminais de atendimento no Estado. Em setembro do ano passado, por exemplo, após a Polícia Militar prender em flagrante quatro suspeitos – Alexandre Vieira dos Santos (38), Bruno Matos de Queiroz (22), Francisco Antônio da Silva (41) e Rômulo César Martins da Silva (38) – de participarem do furto à agência bancária do município de Aratuba, a Delegacia de Roubos e Furtos (DRF) identificou e capturou outros seis suspeitos envolvidos na ocorrência.

No desdobramento da investigação, a DRF indiciou, representou pelas prisões e capturou outras seis pessoas: Washington Viana Guilherme (45), Francisco Antônio da Silva (41), Cesar Demontie Lucas Vieira (38), Manoel Bernardo da Silva (66), José Sidney Rodrigues Costa (41) e Francisco Hugo Campelo Duarte (48). De acordo com os levantamentos da DRF, parte do grupo trabalhava em uma empresa de transporte de valores e havia furtado o dinheiro da agência três dias antes de ser preso em flagrante. Após o furto, o grupo retornou à unidade bancária para atear fogo e simular um ataque no estabelecimento para que as autoridades policiais achassem que o dinheiro furtado tivesse sido levado por assaltantes. Com o plano descoberto, as investigações levaram à identificação e prisão de todos os envolvidos. Quase 90 mil reais foram recuperados com o grupo.

Precisão nas abordagens

O patrulhamento das divisas, a fiscalização dos veículos que trafegam nas rodovias estaduais do Ceará e as saturações por municípios do Interior formam uma barreira para coibir ações criminosas de grupos especializados. O reforço advindo dos últimos concursos da Polícia Militar do Ceará (PMCE) contribuiu para as investidas policiais serem mais efetivas. O Comando de Policiamento de Choque (CPChoque) dispõe de três grupos capacitados para agir contra integrantes desses grupos. São eles: Comando Tático Rural (Cotar) e Companhia de Operações de Divisas (COD), que atuam no Interior, e o Comando Tático Motorizado (Cotam), com ações na Capital e Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). O Batalhão de Polícia de Trânsito Urbano e Rodoviário Estadual (BPRE) realiza diversas abordagens nas estradas estaduais e estão atentos à entrada de veículos suspeitos.

“A Polícia Militar realiza policiamento ostensivo, preventivo e repressivo para combater os roubos a banco no Interior do Estado, utilizando tropas especializadas principalmente nos horários e locais onde os levantamentos podem indicar ação de criminosos nas divisas do nosso Estado e nas várias estradas que dão acesso a outros estados. São tropas especialmente treinadas para esse tipo de ocorrência, com experiência em ações em terrenos inóspitos e acidentados na área de mata. Essa junção de forças aliadas ao treinamento, ao conhecimento da área e à ação de inteligência contribuíram sobremaneira para redução do número de ocorrências de assalto a bancos, caixas eletrônicos ou carros fortes em toda a área do nosso Estado”, comenta o comandante geral da Polícia Militar do Ceará (PMCE), Márcio de Oliveira.

O comandante geral cita ainda as características dos equipamentos bélicos usados pelas tropas especiais nesse tipo de ocorrência. “Destacar também os equipamentos e armamentos usados por essas tropas no enfrentamento a esse tipo de ocorrência, de assalto a banco, de estouro de carro-forte e terminal de atendimento bancário. São armas de grosso calibre e de ponta que realmente dão resposta adequada a esse tipo de enfrentamento”, completa.

Tecnologia

O esforço humano dos policiais do Ceará é abastecido por dados e ferramentas tecnológicas. As câmeras do sistema de videomonitoramento espalhadas por 45 municípios do Estado, com auxílio de uma inteligência artificial capaz de fazer a leitura de placas de veículos, direcionam os esforços para abordagens mais precisas que ajudam tanto nas ocorrências em andamento quanto os setores de inteligência no intuito de identificar e prender os suspeitos, bem como antecipar as ações criminosas. A cobertura policial também conta com a agilidade e prontidão das aeronaves da Coordenadoria Integrada de Operações Aéreas (Ciopaer) da SSPDS. Com bases em Fortaleza, Sobral, Juazeiro do Norte e Quixadá, as aeronaves da frota aérea são empregadas nas ações policiais e dão suporte às composições em solo.