A ansiedade não deveria ser considerada vilã, mas sim uma reação saudável e natural do organismo, algo que nos protege e ajuda na sobrevivência do dia a dia, dando estímulo, encorajamento e impulso para seguir, planejar, prosperar, entre outras coisas. Portanto, a ansiedade é uma velha parceira que nos traz força, lucidez, predisposição, prontidão, concentração e, até foco naquele exato momento que tanto precisamos, como por exemplo ao nos deparar com um trabalho importante a ser entregue, num primeiro encontro amoroso, quando estamos perdidos no meio de um lugar perigoso e/ou estranho e inúmeras situações ao longo da vida.

Mas, e quando isso sai do controle? E quando a ansiedade é algo frequente, contínuo e intenso? Quando “surge do nada”, sem motivo aparente, sem nenhuma causa conhecida? Quando há um sentimento que simplesmente irrompe, invade o corpo, a mente e sinto que vou “ter um treco”, como se o corpo fosse entrar em colapso, como se meu “eu” estivesse em curto-circuito?

Daí, pode estar entrando no campo da ansiedade patológica, assim chamados de Transtornos de Ansiedade.

Estou tendo um “ataque de pânico”?

Com sintomas parecidos, os quadros são diferenciados pela tipologia, frequência, intensidade dos sintomas, imprevisibilidade do episódio, entre outras questões.

 

A pandemia do coronavírus trouxe para todos momentos desconfortáveis, alguns preocupantes e desesperadores. Memes rolam pela internet dizendo que quem não ‘surtou’, não está vivendo 2020 corretamente. Realmente um ano difícil que colocou à prova a paciência, coragem, resiliência e o estado psicológico de muita gente, e consequentemente, o medo e a ansiedade chegaram repentinamente. No ano passado o Brasil foi reconhecido pela OMS como o país mais ansioso do mundo, quase 10% da população convive com esse transtorno. Em virtude da epidemia, pessoas que nunca tiveram sintomas, desenvolveram episódios de ataque de pânico e crises de ansiedade.

Segundo o psicólogo analítico, Kleber Marinho, “a ansiedade caracteriza-se pela antecipação de uma ameaça futura real ou imaginada pela pessoa, ocasionando como consequência do medo, geralmente desproporcional ao perigo real, em face da ameaça apresentada, de fato”. Ele enfatiza que a ansiedade patológica pode se desenvolver na infância e tende a perdurar se não for tratada.

Durante uma crise de ansiedade a pessoa pode ter sensações como nervosismo, dificuldade de concentração, cansaço, inquietação, irritabilidade constante, perturbação do sono e tensão muscular, pois o indivíduo permanece preparado constantemente em estado de vigília, uma espécie de prontidão e alerta permanente que acredita precisar manter a todo custo.

Podem acontecer também pesadelos, dores abdominais, cefaleias, vômitos e até principiar sentimentos físicos como palpitações e falta de ar. Em função do sofrimento, a pessoa tem de enfrentar prejuízo no funcionamento social, escolar, profissional, amoroso, entre outras situações.

O Pânico

Taquicardia, palpitações, tremores, sudorese, falta de ar, dor no peito, vertigem, e uma sensação sufocante de aniquilamento, como se fosse ter um AVC e morrer. Essas são algumas características físicas de quem sofre com o Transtorno do Pânico, quando a ansiedade e potencializada.

Como efeito psicológico do Transtorno do Pânico (TP) a pessoa fica com constante preocupação de ter o ataque e perder controle d comportamento. De acordo com o psicólogo, ‘o ataque de pânico pode ser “inesperado”, ou seja, quando não existe algo que desencadeie o surto ou “esperado”, quando existe uma situação que provoca o ataque’.

Kleber alerta que quando não tratado o Transtorno do Pânico pode se tornar crônico. Em muitos dos casos está associado a outros transtornos, principalmente aos derivados de ansiedade. Com terapia e, em alguns casos medicamentos, é possível ter bons resultados para este quadro e voltar a vida normal.