MPF, MPCE e comunidades indígenas cearenses lançam campanha #IndígenasSemCovid

Para reforçar o combate à disseminação da covid-19 entre a população indígena do Ceará, Ministério Público Federal (MPF), Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) e comunidades indígenas cearenses lançaram a campanha #IndígenasSemCovid. A ideia é propagar a mensagem de que o novo coronavírus segue circulando no estado e que, por serem ainda mais vulneráveis, os povos indígenas devem seguir todas as medidas e protocolos de prevenção à doença.

Com linguagem simples e mensagens rápidas, quatro lideranças indígenas do estado protagonizam o vídeo principal da campanha, que enfatiza a importância de se manter o distanciamento social e fazer o uso de máscaras. Indígenas das etnias Tremembé, Jenipapo-Kanindé e Tapeba apontam atos cotidianos que devem ser evitados, como visitar vizinhos, se reunir em calçadas e jogar futebol em campinhos das comunidades. O vídeo tem como som de fundo um canto Toré, entoado por crianças indígenas de comunidade Tapeba.

A campanha dos MPs também recebeu o reforço do coordenador-executivo da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), Dinamam Tuxá, que abre o vídeo lembrando que já é grande o número de indígenas vítimas da covid-19 em todo o país. Somente no Ceará, até agora, já são quase 400 indígenas contaminados pelo novo coronavírus.

Cards que apontam particularidades da incidência da doença entre populações indígenas também compõem a campanha. Além do vídeo e das peças que serão postadas nas redes sociais, a campanha também contará com carros de som que circularão entre as comunidades indígenas para reforçar as mensagens de prevenção à covid-19, com linguagens simples, diretas e acessíveis.

A procuradora da República Nilce Cunha, uma das idealizadoras da campanha, ressalta que o esforço do MPF vem sendo pela garantia de todos os direitos da população indígena e lembra que a Constituição Federal assegura o respeito à cultura desses povos . “Precisamos, agora, da colaboração de todos para que sejam cumpridas rigorosamente as medidas sanitárias de proteção e prevenção ao novo coronavírus dentro das aldeias do Ceará”, completa.

Já o procurador-geral de Justiça Manuel Pinheiro destaca a necessidade de reforço no estado de vigilância e na observação das regras sanitárias estabelecidas, daí a importância da campanha #IndígenasSemCovid. “O Ceará conta com uma orgulhosa ancestralidade indígena, sendo a 8ª unidade da federação em número de etnias, possuindo 15 povos registrados. O Ministério Público do Estado do Ceará, o Ministério Público Federal e, principalmente, as comunidades e lideranças indígenas cearenses se unem solidariamente para solicitar o máximo de empenho e atenção para cada cidadão, para cada comunidade, para que respeitem todas as normas de proteção contra o coronavírus”.

Covid-19 e povos indígenas

Indígenas e não indígenas estão imunologicamente suscetíveis a vírus que nunca circularam antes, como é o caso do novo coronavírus causador da covid-19. Diferentes estudos atestam que povos indígenas são mais vulneráveis a epidemias em função de condições sociais, econômicas e de saúde piores do que as dos não indígenas, o que amplifica o potencial de disseminação de doenças.