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O Centro de Inteligência em Saúde do Estado do Ceará (Cisec), vinculado à Superintendência da Escola de Saúde Pública do Ceará Paulo Marcelo Martins Rodrigues (ESP/CE), tem realizado, em parceria com a Rede Monitoramento Covid Esgotos, um acompanhamento das concentrações dos níveis do vírus SARS-CoV-2 — causador da Covid-19 — na rede de esgotos de Fortaleza. Liderados pela Universidade Federal do Ceará (UFC), sob coordenação do professor André Bezerra, os levantamentos ocorrem por meio da análise das amostras recolhidas nas estações elevatórias da cidade.

De acordo com o coordenador do Cisec e cientista-chefe da Saúde do Estado, José Xavier Neto, a iniciativa é importante por dimensionar os riscos que a Covid-19 ainda representa, mesmo em um cenário mais otimista, com o aumento do número de vacinados e a diminuição de casos registrados. “Esse trabalho nos dá uma ideia do tamanho da ameaça que estamos enfrentando. Em determinadas semanas, a gente vê uma grande variação na presença do vírus em diversas regiões da Capital”, diz.

O pesquisador chama a atenção para um aumento considerável na concentração viral percebida na semana entre os dias 5 e 11 de dezembro de 2021. Segundo Xavier, uma causa provável deste crescimento em determinadas regiões da capital cearense pode estar ligada à realização de eventos na cidade, como congressos. “Fortaleza tem sido sede de vários eventos em novembro e dezembro. Então, provavelmente, há algum tipo de ocorrência associada ao fluxo de pessoas de outras cidades”, analisa.

Outro período que também chamou a atenção da equipe de monitoramento foi o da semana entre 19 e 25 de dezembro. Para os pesquisadores, o acentuamento do vírus na rede de esgoto pode estar diretamente ligado aos festejos do Natal.

Linha do tempo

O Cisec gerou um vídeo que dimensiona a evolução dessas médias registradas pela Rede Covid Esgotos. Os indicadores consideram dados das semanas epidemiológicas 23 (6 a 12 de junho de 2021) até a semana 51 (19 a 25 de dezembro de 2021).

A classificação do monitoramento é dividida em quatro faixas: não detectado, em verde; de 1 a 4 mil por litro, representadas no mapa em amarelo; de 4 mil a 25 mil, em laranja; e acima de 25 mil, em vermelho.

Em Fortaleza, Xavier Neto destaca que as regiões que mais registraram aumento no número de casos durante a semana epidemiológica 49 foram: Meireles, Praia do Futuro I e II, a região próxima ao Terminal Marítimo e Cocó. O pesquisador atenta para a importância de mantermos os cuidados na prevenção à doença e a adesão à vacinação.