A pandemia de Covid-19 não acabou. Ela segue interferindo na rotina e, também, na saúde e no bem-estar de todos. De acordo com a médica dermatologista Anapaula Fontenele, que integra a equipe de especialistas do Hospital e Maternidade José Martiniano de Alencar (HMJMA), unidade de média complexidade da Secretaria de Saúde do Ceará (Sesa), é crescente o número de pacientes com queixas dermatológicas por causa do agravamento do contágio pelo coronavírus. “Queda de cabelo, pele seca, descamando, acnes em excesso. Tudo, de certa forma, relacionado com a pandemia”, afirma Fontenele.

Entre as queixas mais comuns está o famoso eflúvio — queda de cabelo ocasionada por desencadeantes pontuais, como o estresse. “O confinamento, as incertezas, muita gente perdendo o emprego, tudo isso são fatores desencadeantes de muito estresse. Três ou quatro meses depois, o cabelo pode começar a cair”, diz a dermatologista.

De acordo com ela, atividades físicas e suplementos funcionais, como as vitaminas próprias para cabelos, são fundamentais no tratamento do eflúvio. “Há vitaminas e tônicos de diversos preços diferentes hoje em dia. O ideal é que o paciente, se possível, procure um médico primeiro, assim o profissional pode indicar a (vitamina) mais apropriada”, orienta.

Lavagem do cabelo, mãos e rosto
Um outro fator que anda “mexendo com os cabelos das pessoas” é a necessidade de lavar os fios sempre após sair de casa e retornar. A especialista, no entanto, explica que lavar os cabelos todos os dias não é ruim. Para evitar ressecamento, basta utilizar xampus sem sabão, conhecidos com syndet, que não agridem tanto os fios. Ou usar xampu infantil, que tem preços mais acessíveis. “É importante também hidratar o cabelo pelo menos uma vez por semana. Use máscaras apropriadas, mas, se o orçamento estiver apertado, há alternativas, como óleo de coco, babosa, e até abacate, que é rico em gordura”.

Em meio à pandemia, a hidratação das mãos deve ser constante. Sabonetes neutros ou glicerinados podem ser bons aliados, segundo a dermatologista. “Eles ressecam menos a pele, depois é só usar um creme próprio para as mãos”, indica.

A especialista também aconselha usar as luvas nos afazeres domésticos, como lavar a louça ou atividades de contato com água sanitária. “Elas [as luvas], de uso doméstico, são bem grossas e resistentes, vão preservar a pele das mãos e também as unhas”.

Uma outra área do corpo que tem precisado de mais atenção é o rosto. Algumas pessoas de pele mais sensível têm sido afetadas com dermatites e/ou acnes devido ao uso da máscara de proteção facial. “Primeiro, temos de deixar claro que a máscara é um item indispensável no combate ao coronavírus, não dá para ficar sem ela. Sob nenhuma circunstância se deve abrir mão dela. Mas, se há problemas ocasionados por ela, como alergias, é possível controlar”, ressalta.

As dermatites, segundo Fontenele, podem ser tratadas de forma adequada por um médico. Já o problema de acnes pode ser prevenido com a limpeza regular do rosto com auxílio de um sabonete antioleosidade, com ácido salicílico e/ou enxofre. “O que não dá é para ficar sem a máscara. Além de proteger contra o coronavírus, se você precisa de mais incentivo, ela protege contra poluição, reduz exposição ao sol, melhora o melasma (manchas mais escuras na pele), sem contar a proteção contra tantas outras doenças respiratórias”.