Protestos na América Latina: o que está acontecendo?

Os últimos meses de 2019 e o final de 2018 foram marcados por grandes movimentos populacionais em diversos locais do mundo, mas principalmente em países da América Latina. Tantas ondas de protestos em uma área tão próxima quanto a dos países latinos chamou atenção não só da mídia, mas de muitas pessoas que se perguntam o por quê de tantos protestos nessas regiões.

A raiz do problema nos países latinos

Um dos movimentos recentes que mais chamou a atenção tanto da mídia quanto da população ao redor do mundo foram os protestos no Chile. Tudo começou com uma proposta do governo de aumento do preço das passagens de transporte público nos horários de pico. O aumento seria equivalente a 3,75%, o que não foi bem recebido pela população. A partir dai, inúmeros manifestantes foram às ruas contra a nova medida, além de trazer à tona outros problemas no país.

Questões como o aumento de passagem podem aparentar ser o tema principal da insatisfação da população, assim como já aconteceu no Brasil em 2013, com o movimento “vem pra rua”. No entanto, quando se analisa as questões dessas economias mais de perto, é possível notar todos as outras camadas de problemas que os atingem. No Chile, por exemplo, mesmo sendo considerado um caso bem sucedido nas Américas, o país enfrenta grandes problemas com desigualdades sociais e falta de empregos. O aumento do preço das passagens é quase um detalhe em meio a tantas questões. O mesmo aconteceu no Brasil.

Outros países como Bolívia, Colômbia, Equador, entre outros, também enfrentam estes problemas, além da alta dos combustíveis e taxações abusivas. O denominador comum desses protestos é a insatisfação e raiva da população, diante todo esse cenário político. Um fator que une esses países é também o histórico de corrupção dos governos. Fica muito difícil para novos líderes trazerem frescor e novas oportunidades para a sociedade quando o país ainda enfrenta problemas graves de corrupção, desvio de verbas e crimes políticos que ficam impunes.

A tendência dos protestos para o próximo ano

Com isso, a democracia está sempre em questão, com líderes cada vez mais enfraquecidos nesses locais. No Brasil, por exemplo, a popularidade do atual presidente é cada vez menor, segundo pesquisas. Países como Equador, Bolívia e Venezuela também se encontram ameaçados e enfraquecidos. A tendência é que para o próximo ano os protestos continuem e até aumentem nas ruas. As consequências desses movimentos para o novo ano ainda são incertas, mas especialistas conseguem prever o aumento de crise caso mudanças não sejam feitas.

É importante perceber a relevância desses países para o mundo também. São grandes exportadores e fornecedores de itens primários para grandes potências. Com uma crise em escala nesses países e aumento de onda de protestos, é possível que as consequências atinjam outros locais em escala. É necessário que novos modelos de governo se levantem, deem voz à população das ruas e busquem novas propostas e melhorias para a sociedade.