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As falas do ministro do meio ambiente, Ricardo Salles, reveladas na última sexta-feira, 22 de maio, durante reunião ministerial com o presidente da República causaram espanto ao apresentar uma agenda de flexibilizações de marcos ambientais e à revelia do parlamento. Ambientalistas reagiram adotando série de medidas contra Salles.

O Partido Verde, representado pelo Diretório Nacional e pela bancada federal da Câmara dos Deputados, apresentaram ações para frear a agenda antiambientalista da atual gestão do Ministério do Meio Ambiente. Em sua fala, o gestor afirmou que o momento da pandemia era oportuno para que se fossem adotadas medidas infralegais e atos normativos que visassem à desburocratização e simplificação de processos ambientais. “Vamos passando a boiada”, afirmou Salles.

Dentre as medidas apresentadas está um requerimento de convocação, apresentado pelo deputado Israel Batista (PV/DF), acompanhado por Enrico Misassi (PV/SP), Célio Studart (PV/CE) e Leandre (PV/PR) da bancada, para que o ministro preste esclarecimentos na Câmara dos Deputados. O Deputado Célio Studart protocolou notícia-crime, contra Salles, na Procuradoria-Geral da República. Na Câmara dos Deputados, a direção do PV protocola novo pedido de impeachment nesta segunda-feira (25).

Segundo dados do INPE, em abril – durante a pandemia, os alertas de desmatamento da Amazônia registraram aumento de 63,75% em relação ao mesmo mês do ano passado. Em relação a março de 2020, o aumento foi de 24,2%. Neste contexto, a fala do ministro apresenta uma estratégia de atuação da pasta “Então pra isso precisa ter um esforço nosso aqui enquanto estamos nesse momento de tranquilidade no aspecto de cobertura de imprensa, porque só se fala de covid e ir passando a boiada e mudando todo o regramento e simplificando normas”, afirmou. “De Iphan, de Ministério da Agricultura, de Ministério de Meio Ambiente, de Ministério disso, de Ministério daquilo. Agora é hora de unir esforços pra dar de baciada a simplificação regulam… é de regulatório que nós precisamos, em todos os aspectos”.

Dentre os fatores que justificam o pedido de impeachment apresentado à Câmara dos Deputados estão o descumprimento da “premissa elementar de para ocupação de um alto cargo de poder em um país democrático de atuar, sempre, com responsabilidade coletiva e em consonância com os preceitos constitucionais”, fatos comprovadamente e desacordo com a conduta do ministro.

“Expor o país à disseminação desenfreada do desmatamento sem o devido debate democrático e encarar os veículos da imprensa como obstáculos a serem vencidos, em detrimento de utilizá-los como ferramenta para publicização de atos que impactam a qualidade de vida de toda a população, é tudo menos digno. É tudo menos honrado. É tudo menos decoroso. É tudo menos o que se espera do Ministro do Meio Ambiente do país que possui uma das maiores diversidades biológicas e ambientais do planeta”, afirma o Partido Verde.

Um dos autores do pedido de impeachment, deputado federal Professor Israel Batista (PV-DF) afirma que “Salles é a raposa cuidando do galinheiro. É um negacionista do aquecimento global. É anti-índio, antifloresta, antipreservação e antiministro. Que fique bem claro: não vai passar nenhum único boizinho da boiada dele!”, em referência ao pronunciamento.