O Brasil enfrenta, neste momento, devido à Covid-19, uma grave crise econômica, que pode vir a ser considerada a maior da história do País, com retração do PIB em mais de 5%. Segundo dados disponibilizados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), o índice de desemprego deve ultrapassar a casa dos 14%.

Diante deste cenário, o Ceará não está diferente. Com a produção e as vendas paradas por conta da quarentena, várias pequenas empresas têm enfrentado dificuldades. Segundo levantamento do DataSebrae, dos 526.055 pequenos negócios no Ceará, 422.702 estão em situação delicada no Estado.

Numa tentativa de tentar mitigar as perdas com a crise, muitos empresários cearenses precisaram se reinventar e apostar no “novo”, dentro de suas perspectivas e expertises.  É o caso dos empresários Fabrício e Roberta Pereira. O casal, proprietário da empresa Bonjardim Ambiental, localizada em Fortaleza, conta que as perspectivas para 2020 eram as melhores possíveis, porém, com a pandemia, teve de elaborar plano de ação bem diferente do previsto, para definir os próximos passos e salvar os investimentos que haviam feito apostando num ano mais próspero. “Decidimos deixar parte dos funcionários em casa por terem pais idosos, filhos pequenos ou serem do grupo de risco. Preferimos resguardá-los. Os salários foram pagos; alguns funcionários entraram de férias, outros tiveram contratos suspensos temporariamente e negociações foram feitas com a maioria dos fornecedores,” explica Roberta.

Com isso, 55% da mão de obra da empresa ficou afastada, restando apenas o casal na linha de frente e os funcionários ligados aos atendimentos dos estabelecimentos essenciais – hospitais, por exemplo – para manter as atividades.  “Como havia a possibilidade de atendimento para entregas em domicilio, autorizada pelo Decreto Estadual, resolvemos nos jogar nesta modalidade ainda sem saber exatamente como fazer. Eu mesmo estou indo fazer as entregas”, comenta Fabrício.

Mesmo com todas as dificuldades de adaptação a esse novo modelo de operação, os empresários consideram que o faturamento, somente com as vendas online, em comparação com a média normal é bom, chegando a alcançar entre 40% e 50% do que costumam quando estão operando no modelo tradicional. Outra solução encontrada foi a oferta de alguns produtos a preços próximos dos preços de custo, para serem revendidos por uma rede de supermercados.

A startup cearense Vire a Chave, especialista em consultoria de investimentos, viu seu faturamento cair, já que muitas pessoas estão com receio de investir neste momento de crise. Como saída, resolveu investir no EAD, oferecendo conteúdo gratuito. “Criamos e disponibilizamos um e-book com instruções para pequenos e médios investidores na crise, tentando abrir novas possibilidades para o investidor e criando oportunidades também na crise. Agora também estamos transformando o material do e-book todo em vídeo”, explica Brendo Rodrigues, assessor de investimentos e diretor da startup.

“Neste momento, os empresários precisam encontrar soluções que possam suprir os custos básicos e também ter um olhar solidário. Em momentos como esse, mesmo os mais conservadores devem se abrir para novas possibilidades e ideias. O importante é dar os primeiros passos e não apenas esperar da esfera pública soluções para a crise”, explica Wosley Nogueira, empresário e consultor de negócios.