País terá 14,5 milhões de desempregados segundo pesquisas

Muitos governadores instituíram medidas restritivas para evitar a disseminação do Covid-19 pelos estados brasileiros. A escala de enfermidade da doença contabiliza mais de 80.000 indivíduos infectados e milhares de mortes apenas no estado de São Paulo. As cidades tiveram muitas atividades interrompidas nas últimas semanas e muitos trabalhadores estão em suas casas e muitas empresas precisam revisar seus planos de investimento e crescimento para 2020.

As perspectivas de crescimento da economia global já estão sendo revisadas desde o surgimento dos primeiros casos do novo Coronavírus na China, e o Brasil corre risco de apresentar índices de Produto Interno Bruto bastante negativos até o final de ano. As taxas de desemprego, cujos índice encerrado em janeiro chegou a 11,2% segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, vêm aumentando vertiginosamente.

Especialistas da 4E Consultoria projetam que a o ápice da taxa de desemprego no Brasil ocorrerá em junho, atingindo 13,5%, o que significa que o país terá aproximadamente 14,5 milhões de desempregados apenas no primeiro semestre do ano.

“Tanto os empregadores quanto os funcionários se veem numa situação muito delicada. Apesar de muitos profissionais terem conseguido recolocações no mercado de trabalho entre o final de 2019 e o início de 2020, a pandemia pegou todo mundo de surpresa e muitas empresas se veem obrigadas a reduzir o quadro de funcionários”, comenta Thomas Carlsen, COO da mywork, especializada em controle de ponto online, “Percebemos que os negócios que mais sofrem no momento são aqueles que têm até 10  funcionários e os profissionais autônomos, já que estes não costumam ter grandes reservas de caixa para aguentar a pandemia”, analisa o executivo. Segundo a PNAD, os profissionais autônomos representam quase metade dos trabalhadores do país (40,7%).

O Indicador de Antecedente de Emprego (IAEmp), um dos indicadores de emprego medidos pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), apresentou um declínio brusco em março. O IAEmp, que funciona para antecipar tendências do mercado, retraiu de 9,4 pontos para 82,6 pontos numa escala de 0 a 200. A FGV já havia estimado um acréscimo de 5 milhões de desempregados no Brasil em apenas três meses.