As autoridades da China anunciaram no último domingo (26) uma proibição temporária do comércio de animais silvestres, após o surto de infecção por um tipo de coronavírus na cidade de Wuhan. Até o momento, 106 pessoas já morreram no país.

Embora a origem do vírus ainda seja desconhecida, cientistas chineses acreditam que a transmissão pode ter ocorrido de cobras para humanos. Isso porque os répteis em cativeiro podem ser portadores de patógenos que também infectam as pessoas.

Essa não é a primeira vez que a transmissão de doenças de animais silvestres para humanos tem sido a causa de graves epidemias. Kate Nustedt, diretora de vida silvestre na Proteção Animal Mundial, explica que a decisão do governo chinês ajuda a minimizar a proliferação da doença. “Esperamos que essa decisão seja permanente e estendida à todas as importações e exportações de animais silvestres. Na China, é comum encontrar animais à venda em mercados e feiras. As péssimas condições que esses animais são submetidos, em ambientes sem nenhum tipo de higiene ou bem-estar, são propícios para o surgimento de epidemias. Isso, vinculado com um contato com o ser humano, causa epidemias como o coronavírus”, afirma Kate.

As cobras, por exemplo, são capturadas na natureza e transportadas juntas em sacos ou pequenas gaiolas ou são reproduzidas intensivamente em viveiros, onde são mantidas em espaços precários e superlotados. Esses locais se tornam verdadeiras incubadoras para a mutação de patógenos, que se tornam mais resistentes e podem ser transmitidos para outras espécies de animais e para humanos.

“Existem medidas muito simples que todos podemos tomar para evitar futuros surtos, como parar de comprar qualquer animal silvestre, vivo ou morto. Este comportamento pode levar a graves surtos de doenças transmissíveis a humanos, como esta que estamos vendo em Wuhan”, finaliza Kate.