Pelo menos 60% dos bares e restaurantes do Ceará estão com as contas de energia atrasadas. É o que aponta levantamento da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel-CE), divulgado nesta quinta-feira (15). O setor de alimentação voltou a abrir na última segunda-feira (12), após praticamente um mês fechado, no entanto, funciona com horário reduzido e capacidade de atendimento mínima de 25%.

Mesmo funcionando através do delivery, os estabelecimentos vêm amargando prejuízos há um ano desde o início da pandemia. Diante da previsão de aumento de 20% no reajuste da conta de energia, que deve ser deliberado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), no próximo dia 22, o setor demonstra preocupação com a sustentação dos negócios no Estado. De acordo com a Abrasel, os prejuízos, até o momento, vão desde demissões a fechamentos definitivos.

“As contas da Enel já têm sido altas, e por não ter como pagar, por não ter como trabalhar, muitas pequenas empresas vem sofrendo cortes de energia e por consequência impedimento de voltar a reabrir seu negócio. Tem sido o golpe final no já endividado pequeno empresário”, relata Taiene Righetto, presidente da Abrasel no Ceará.

O presidente da Abrasel citou o pagamento de contas de energia pelo Estado conforme anunciado pelo governado Camilo Santana, no último 4 de março, e já aprovado na Assembleia Legislativa, mas o setor cobra urgência. “O Estado já se prontificou a pagar as contas de energia, porém precisamos operacionalizar isso com urgência já que a Enel não está disposta a esperar por nada e rapidamente está cortando a Energia tão essencial a todos”, completa.

Auxílio
Para aliviar as contas do setor de alimentação fora do lar, Camilo Santana anunciou um pacote de medidas de socorro, que inclui isenção da conta de água de todos os restaurantes, bares, barracas, lanchonetes, entre outros, dos meses de março, abril e maio.

O governo também se comprometeu em isentar os débitos de água durante a pandemia, de março de 2020 até o fim de fevereiro de 2021, incluindo a tarifa de contingência. Além disso, foi proposto o parcelamento das dívidas de ICMS com o Estado do Ceará em até 60 meses (5 anos), com o objetivo de regularizar a situação fiscal de empresas do setor de alimentação.

Entre outras medidas tomadas pelo governo do Estado, destacam-se: auxílio de R$ 1 mil, pago em duas parcelas de R$ 500, para os trabalhadores do setor que estão desempregados, como garçons, cozinheiros, auxiliares de cozinha, gerentes, recepcionistas; isenção do IPVA 2021 para veículos registrados em nome de empresas dos setores de restaurantes, bares e demais estabelecimentos de alimentação fora do lar, e para até um carro que esteja no nome de profissionais autônomos ou microempreendedores individuais (MEI) formalizados, que atuem comprovadamente no segmento; e criação do Selo Lazer Seguro para bares e restaurantes, como feito para o setor hoteleiro, para estabelecimentos que estão cumprindo as orientações e os protocolos sanitários com rigor.