Impressão de dinheiro é eficaz para driblar crise causada pelo coronavírus?

Recentemente, com a crise por conta do novo coronavírus (covid-19) no auge, uma discussão antiga sobre a impressão de dinheiro para salvar a economia foi reaberta. Isso aconteceu após a fala do Secretário de Fazenda e Planejamento de São Paulo, Henrique Meirelles, que declarou ser favorável a impressão de notas. Segundo o Secretário, já passou da hora do governo expandir a base monetária. Em contrapartida, Roberto Campos Neto, Presidente do Banco Central, afirmou que a saída não é viável, já que mesmo com a inflação baixa, a medida pode impactar diversas outras áreas, como a taxa de juros, que se encontra agora em sua mínima histórica, de 3,75%.

Guto Ferreira, Analista Político-Econômico da Solomon’s Brain, afirma que o risco de a economia não responder à medida é grande, o que a torna uma manobra arriscada. “É óbvio que se ficar imprimindo muito dinheiro, pode acabar sendo pressionado lá na frente pela espiral inflacionária, caso a economia e o consumo não reajam. Então, nesse ponto, concordo com o Presidente do Banco Central que não é o melhor momento para se discutir impressão de dinheiro”. Para o Analista, agora é um momento de pequenos incentivos, observando a reação do mercado. “Esse é o momento pra gente tentar salvar o mercado por um tempo, ver como vai reagir e tentar um plano de incentivo ao consumo com o mínimo de endividamento possível para que podemos girar novamente em um cenário mais adequado”, pontua.

Ferreira ressalta que não acha a medida eficaz, já que mais à frente pode haver uma espiral inflacionária. “Se você imprimir muito dinheiro para tentar controlar isso, provavelmente será impactado na outra ponta, é o que a gente fala, você cobre um lado e descobre o outro. Nesta situação será muito mais difícil para recuperar”.  Para o Analista Político-Econômico, é um momento decisivo, já que toda e qualquer decisão tomada pode ter impactos consideráveis a longo prazo. “Na verdade, hoje, dependendo da decisão que se tome, você está escolhendo entre salvar a década de crescimento brasileiro, ou metade dessa década, ou perde-la”, finaliza Ferreira.