Abate de frangos no 1º trimestre de 2020 totalizou 6,9 milhões de cabeças no Ceará

O abate de frangos no 1º trimestre de 2020, no estado do Ceará, totalizou 6,9 milhões de cabeças, novo recorde na série histórica iniciada em 1997. Esse resultado ficou 29,0% acima do mesmo período do ano passado e foi 0,5% superior ao 4° trimestre de 2019. O mês com o maior resultado no trimestre foi janeiro, que apresentou uma expressiva diferença em relação a janeiro de 2019: 15,7%. Os dados são da Estatística da Produção Pecuária, divulgada hoje (10) pelo IBGE, e que reflete apenas 15 dias dos efeitos do isolamento social para o combate da Covid-19.

Das 25 unidades da federação que têm estabelecimentos com abate de frangos inspecionado por fiscalização sanitária, 17 tiveram aumentos que contribuíram para a adição de mais 72,44 milhões de cabeças de frangos em relação ao 1° trimestre de 2019. O Paraná, que detém mais de um terço (33,5%) da produção nacional, teve também o maior aumento, 38,31 milhões de cabeças.

O abate de suínos, no Ceará, que chegou a 38,3 mil de cabeças, foi recorde para um primeiro trimestre desde o início da série histórica, em 1997. O resultado ficou 24,6% acima do mesmo período de 2019 e 11,3% abaixo do trimestre imediatamente anterior. Tal como ocorreu com os frangos, janeiro foi o mês com maior atividade, 27,4% acima do mesmo mês em 2019. Santa Catarina, estado que contribui com 28,3% do total da produção nacional, teve um aumento de 352,09 milhões de cabeças em relação ao primeiro trimestre de 2019.

Exportações para a China

Um dos fatores que estimularam o aumento no abate de suínos e frangos foi o mercado externo. Houve um recorde de exportações de carnes para um primeiro trimestre, para suínos e bovinos, além de ser o segundo melhor primeiro trimestre da série para frangos, só ficando atrás do trimestre equivalente de 2017. “A China aumentou bastante a participação nas nossas exportações das três proteínas. O país está sendo afetado pela peste suína africana, portanto eles tentam compensar a perda na sua produção interna com as carnes brasileiras”, explica o analista da pesquisa, Bernardo Viscardi.

Ceará: Abate de bovinos cai 18,8% e registra menor patamar

Por outro lado, o resultado do abate de bovinos no primeiro trimestre, de 32,0 mil de cabeças, foi o mais baixo da série iniciada em 1997, ficando 18,8% abaixo do trimestre anterior e 7,2% inferior ao 1° trimestre de 2019. O abate de cabeças a menos do que no 1° trimestre de 2019 foi puxado por Goiás (-157,68 mil cabeças) e Mato Grosso (-120,70 mil cabeças). “Vários fatores podem ter contribuído para essa redução, desde o consumo interno até as variações de preços. Um diferencial observado, por exemplo, foi que, devido à melhoria dos preços dos bezerros, os produtores de carne preferiram poupar as fêmeas do abate para que elas possam gerar mais bezerros. Isso reduziu o número de fêmeas abatidas em relação ao primeiro trimestre de 2019”, analisa Viscardi.

Já a aquisição de leite cru foi recorde para um primeiro trimestre, com 81,0 milhões de litros, com aumento de 1,5% em relação ao 1° trimestre de 2019. O mês de maior captação dentro do primeiro trimestre de 2020 foi março, com 28,1 milhões de litros de leite. O setor leiteiro tem um comportamento cíclico, com o primeiro trimestre do ano apresentando queda na produção em relação ao último trimestre do ano anterior. Neste trimestre, o ciclo se repetiu: a diferença foi de -3,7%.