No fim da rua 103, no bairro São Cristóvão, está pichado numa parede: rua Jardel Lima. Agora, a Câmara dos Vereadores tornou oficial o que moradores do bairro passaram a adotar após a Chacina da Grande Messejana, em novembro do ano passado. Desde o último dia 17, duas ruas no entorno do Cuca Jangurussu mudaram de nome em homenagem aos jovens assassinados que moravam na região. A rua Paisagística passou a se chamar Álef Souza Cavalcante.

Além de homenagens, familiares das vítimas pedem prisão dos responsáveis pelos crimes.

Os dois jovens, de 17 anos, foram mortos juntos. Eles estavam jogando futebol numa quadra no bairro São Cristóvão e foram à casa de um primo do Jardel, no Curió. A família de Jardel mora há 24 anos na mesma casa, que fica na rua que agora tem o nome dele. “Quando me mudei para cá, todos os vizinhos eram casais. Então, as crianças foram crescendo juntas”, lembra Sidnei dos Santos, pai do jovem. “Ele conhecia todo mundo e todo mundo conhecia ele”, comenta. Para ele, a homenagem é o primeiro passo nas providências a serem tomadas em resposta à morte dos meninos.

A dor da perda do filho Álef fez a cuidadora de idosos Edna Carla deixar a casa alugada, no São Cristóvão, e ir morar na Parangaba. A homenagem ao jovem foi dada na rua ao lado do Cuca Jangurussu, onde ele fazia aulas de skate. Para Carla, a mudança no nome das ruas não vai diminuir a dor. “Serve para o Estado tentar reparar os erros, mas falta muito. Direta ou indiretamente, o Estado tem culpa. Os policiais dele que mataram nossos filhos simplesmente porque achavam que deveriam matar”, critica.

 

 

Fonte: O Povo