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Os frutos da pandemia da Covid-19 já impactam o motor econômico e o mercado de trabalho, bem como a saúde mental das pessoas. Para entender a visão dos jovens sobre esse momento, o Nube – Núcleo Brasileiro de Estágios realizou a pesquisa “Você tem medo das consequências da crise causada pelo coronavírus?”. O estudo foi realizado entre os dias 27 de abril e 8 de maio, com a participação de 14.353 pessoas de 15 a 29 anos. O resultado demonstrou a preocupação com a empregabilidade.

A maioria, ou 41,69% (5.984) dos respondentes disse: “sim, certamente o número de vagas vai diminuir muito”. Para Vitor Santos, recrutador do Nube, esse impacto foi mais forte em algumas áreas. “Porém, outros setores tiveram suas demandas ampliadas, como o da saúde, toda a parte laboratorial e alimentação, os quais estão precisando cada vez mais de profissionais para ajudar nesse momento”, explica. A dica do especialista para quem está em busca de estágio é aproveitar o período para adquirir novos conhecimentos. “Isso pode ser feito por meio de aulas on-line de capacitação, comportamentais e leitura de livros ou artigos com temas relevantes. No site do Nube estão disponíveis vários cursos para auxiliar desde a administração do nosso tempo, até como se portar em uma entrevista. São todos de graça e com certificado!”, orienta.

Outros 29,27% (4.201) afirmaram: “sim, estou muito preocupado e desanimado com o futuro”. A ansiedade nesse momento é uma reação normal do nosso organismo. No entanto, o excesso do sentimento pode nos causar sofrimento e impedir de tomar uma atitude. “Por isso, algumas dicas para diminuir o sintoma são não ficar o tempo todo vendo notícias, mas escolher um horário específico para se atualizar por meio de fontes confiáveis e não sensacionalistas. Além disso, não passe o dia de pijama, estabeleça uma rotina com pequenas metas de acordo com seus objetivos, como estudar, procurar oportunidades, comer e descansar”, recomenda Santos. Mantenha também uma rede de apoio emocional com a família e amigos por meio do contato a distância. Vale ainda lembrar: tudo isso é temporário.

Já 14,95% (2.146) colocaram: “um pouco, alguns perderão muito, mas outros ganharão”. Houve ramos de atuação os quais ganharam destaque diante da crise sanitária. “Justamente aqueles mais requisitados por conta dela. O setor de alimentação e produtos básicos, como supermercados e padarias, por exemplo, também tem reforçado seus quadros de funcionários devido à alta demanda de compras. Alguma áreas industriais estão produzindo mais, como as fabricantes de EPI’s e álcool gel. Outra evolução é nos serviços ligados a tecnologia, como marketing digital, desenvolvedores de sistemas e e-commerce’, lembra Santos. Por outro lado, os mercados mais afetados são aqueles sem a possibilidade de migrar ou adaptar para o on-line, como salões de beleza, clínicas de estética, academias, hotéis etc. “No entanto, o momento não é para desespero, mas sim de fazer mudanças e ajustes. A pandemia acelerou o processo de transmitir muitas funcionalidades e negócios para o mundo virtual. Muitas corporações precisarão de auxílio em seu capital de investimento e planejamento para tais transformações”, pontua o selecionador.

Uma parcela de 8,33% (1.196) dos participantes opinou: “não, quem tem talento sempre supera qualquer obstáculo”. Entretanto, vencer o desafio da crise não necessariamente é uma questão de aptidão. “Muitas oportunidades estarão congeladas até a situação melhorar. Logo, não conseguir uma vaga de estágio não é motivo para duvidar de suas capacidades. Se manter atualizado sobre as mudanças no mercado relacionadas a sua área, usar o tempo livre para aprimorar a comunicação, fazer cursos e estar atento a qualquer nova chance serão sempre boas estratégias para alcançar a tão sonhada colocação”, afirma Vitor.

Por fim, 5,75% (826) observaram: “não, o mercado voltará ainda mais aquecido”. Após a crise, haverá um momento de recuperação econômica. Isso fará as empresas reporem suas vagas congeladas e também abrir novas chances. “A busca será por profissionais dispostos, qualificados e antenados nas novidades do mundo corporativo. Qualidades facilmente encontradas em um estagiário. Por isso, acreditamos no aumento do número de chances para estudantes, pois eles já são vistos como investimento pela maioria dos contratantes. Afinal, estão em formação, ligados nas novas tecnologias, cheios de energia e ideias, sempre procurando conhecimento”, finaliza Santos.