A greve dos bancários completa, hoje, oito dias de paralisação. Ontem, a categoria realizou plenária na Praça do Ferreira, no Centro, no intuito de mobilizar os trabalhadores e informar à sociedade sobre os motivos da greve. “A plenária não tem caráter deliberativo, mas de mobilização. Ela acontece para dizer que não teve deliberação nem andamento nas negociações. Não existe proposta nova por parte dos banqueiros. Ela estacionou no que eles ofereceram na semana passada, que foi um reajuste de 7% e um abono de mais de R$ 3 mil”, disse o diretor executivo do Sindicato dos Bancários do Estado do Ceará (Seeb-CE), Tomás Aquino.

Durante a plenária, Tomás afirmou que o que foi oferecido pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) não contempla o que a categoria pede. “Isso não contempla, pois só de inflação temos 9,31%. Nós queremos, além da inflação, um aumento real de 5%, que dá em torno de 15%. O que eles estão oferecendo está bem distante do que estamos reivindicando”. Além do aumento salarial, a categoria pede participação nos lucros, vales-alimentação, refeição, fim das metas abusivas e assédio moral, ampliação das contratações, fim das precarizações das condições de trabalho, mais segurança nas agências bancárias, dentre outras.

Crescimento
Em entrevista ao Jornal O Estado, o diretor falou que a adesão à greve continua cada vez mais forte e crescente. Segundo o diretor, o Ceará tem hoje cerca de 70% de adesão. “No Brasil, estamos com adesão de 10 mil agências. É um movimento que está se fortalecendo a cada dia. No Ceará, 400 agências estão com suas atividades paralisadas. A maior parte delas no interior do Estado. Em Fortaleza, a adesão também é grande, principalmente na rede privada”, disse Aquino.

Contradição

De acordo com o sindicato, os cinco maiores bancos (Itaú, Bradesco, Banco do Brasil, Santander e Caixa) lucraram R$ 29,7 bilhões no primeiro semestre de 2016, mas, por outro lado, houve corte de 7.897 postos de trabalho nos primeiros sete meses do ano. Entre 2012 e 2015, o setor já reduziu mais de 34 mil empregos. O presidente do Seeb-CE, Carlos Eduardo Bezerra, questiona as demissões que continuam acontecendo tanto na área pública como na área privada, sem motivo justo. Ele analisa que as demissões têm o sentido de alavancar maiores lucros dos bancos, o que prejudica em muito o atendimento à população, que tem de enfrentar grandes filas para realizar as operações. “No ano passado, as demissões passaram de 10 mil empregados”. Além disso, afirma que “as demissões também prejudicam os bancários, porque com o número pequeno de trabalhadores o cansaço aumenta e pode acarretar em estresse e até mesmo sérias doenças”.

Assembleia

Segundo Tomás de Aquino, hoje, às 11 horas, uma nova rodada de negociações irá acontecer. “Pode ser que apareça alguma proposta nova. Porém, a próxima assembleia só acontecerá quando tiver uma proposta e o Comando Nacional dos Bancários entenda que é passível de ser aceita pela categoria. Enquanto não tiver a proposta, o comando rejeita em mesa e a gente faz só assembleia de mobilização”, finalizou.

Greve
A greve começou no dia 6 de setembro, com 214 agências bancárias fechadas no Ceará. Para o secretário de Políticas Sindicais da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Gustavo Tabatinga, foi o maior primeiro dia de paralisação da categoria. “Ela já começou maior que no ano passado e nos anos anteriores. Tivemos o maior número de adesão de bancários. Isso é muito bom, pois mostra que a categoria tem força para lutar pelas reivindicações e estão entendendo que a proposta repassada pela federação está insuficiente, porque não recupera a inflação”, falou Tabatinga.

Fonte: OE