crianca-bicicleta-atropelada-morta-carro Cotidiano
Foto: Reinaldo Jorge

O atropelamento que resultou na morte de uma criança de 12 anos que pedalava, na manhã deste domingo (23), na Maraponga, gerou repercussão em Fortaleza. Uma bicicletada em repúdio à violência no trânsito praticada contra ciclistas está sendo organizada pelo Coletivo Ciclanas – grupo de mulheres que pedalam e debatem o uso da bicicleta na Capital – para a próxima sexta-feira (28). O objetivo do ato, conforme o grupo, é chamar atenção para que “mais uma morte de ciclista não passe em branco”.

A concentração da bicicletada intitulada “Não Foi Acidente” será as 18h, na Praça da Gentilândia, no Benfica. De lá, os ciclistas seguirão para a Av. Godofredo Maciel, na Maraponga, onde o menino Kaic Roniele Sousa Gurgel morreu, na manhã deste domingo, após ser atingido por uma Land Rover de cor preta, enquanto andava de bicicleta.

Conforme a integrante do Coletivo Ciclanas, Luisa Pinheiro, a ideia da mobilização surgiu em uma rede social que reúne alguns ciclistas urbanos de Fortaleza, após o conhecimento da ocorrência.

Na sexta-feira (28), os organizadores do ato, explica ela, também irão levar uma ghost bike (bicicleta fantasma) para ser colocada no local do atropelamento, em homenagem à vítima. As ghost bikes são bicicletas brancas instaladas em locais de acidentes fatais com ciclistas, com o intuito, dentre outros, de evitar que a morte caia no esquecimento.

“Os relatos falam que a criança estava pedalando dentro da ciclovia e a motorista virou por cima dele e alegou que não viu. Várias de nós (ciclistas) já sofremos esse tipo de situação”, enfatiza Luisa Pinheiro. Segundo a ciclista, todos os dias pessoas que pedalam estão vulneráveis a situações trágicas como esta, devido à imprudência de condutores de outros veículos como carros e ônibus.

Procedimentos

Após a ocorrência na manhã deste domingo, a mãe do menino atropelado, Katiana Macena de Sousa, foi ao 30º Distrito Policial, no bairro São Cristóvão, para prestar depoimento. Em entrevista à imprensa, ela contou que presenciou todo o acidente e inconformada questionou: “Ela (condutora) viu que tinha batido, por que ela continuou? Se ela tivesse parado, ela não teria passado por cima do meu filho”.

Já a motorista Ana Paula Rodrigues Muniz, que assumiu estar dirigindo a Land Rover no momento da ocorrência, declarou em depoimento que, ao fazer um retorno na via, sentiu uma pancada no veículo, mas não conseguiu identificar o que havia sido. Após chegar em casa, ela decidiu se apresentar ao 30º DP. Na delegacia, relatou o caso e garantiu que não sabia se tratar de um acidente.

 

Mais informações

Bicicletada “Não Foi Acidente”

Concentração: Praça da Gentilândia, Av. Treze de Maio, Benfica

Data: sexta-feira, 28 de outubro, às 18h