image-3 Cotidiano
Foto: Reinaldo Jorge

Durante o ano de 2016, o que mais se observou na Capital foi mudanças no trânsito. As intervenções só foram possíveis graças ao Plano de Ações Imediatas de Transporte e Trânsito (PAITT), lançado pela Prefeitura de Fortaleza em 2014. Conforme dados da Secretaria Municipal de Conservação e Serviços Públicos (SCSP), se somarmos as ruas e avenidas que receberam intervenções de binários, ciclovias, ciclofaixas e faixas exclusivas de ônibus, o número chega à marca de 110 vias. Mesmo com as mudanças, parte das alterações na malha só vai ser concluída em 2017.

O Plano tem como foco medidas de curto prazo para melhorar o tráfego nos trechos de maior fluxo. Para se ter dimensão do número de ações realizadas, segundo levantamento da SCSP, somando ruas e avenidas, ao todo mais de 50 vias foram alteradas por meio dos binários nos bairros Aldeota, Papicu, Montese, Rodolfo Teófilo, Parquelândia, Praia de Iracema, Granja Portugal, Bela Vista, Messejana e José Walter. Outros 60 trechos tiveram a inserção de ciclovias e ciclofaixas.

Mesmo com as intensas modificações, parte dos binários ainda vão entrar na segunda fase de continuidade. O binário da Messejana começou suas mudanças em setembro deste ano. A segunda etapa, iniciada ainda neste mês, deve continuar em 2017, alterando o tráfego das ruas Taquatiara, Manoel Arruda, Nova Quietude, Herbene, Alves Ribeiro, Rua Paulo Setúbal, Rua Guarujá e Rua Aveledo.

Em andamento também estão os binários dos bairros Jóquei Clube e Bela Vista. Outras intervenções estão previstas ainda nas Avenidas A, C, H, I e João de Araújo Lima do bairro Conjunto José Walter. A reportagem solicitou da Autarquia de Trânsito e Cidadania (AMC) o número total de vias da Capital, mas o órgão não soube informar.

Prioridade

Segundo o secretário executivo da SCSP e coordenador do Paitt, Luiz Alberto Saboia, os modais como carros e bicicletas compartilhadas estão disponíveis, mas existe dificuldade de as pessoas deixarem os automóveis. “Quando você resolve deixar seu carro em casa e pegar um ônibus, está criando um beneficio para toda a sociedade. Não é à toa que temos as faixa exclusivas de ônibus, o aplicativo ‘Meu ônibus’ para dar previsibilidade, o ar-condicionado para dar mais conforto e o WiFi dentro dos terminais. É esse o estímulo que a gente dá ao usuário”, destaca o gestor. Uma grande reclamação dos motoristas e motociclistas é também quanto à falta de estacionamentos em regiões de grande fluxo, como no Centro.

A funcionária pública Neuma Miranda trabalha há 10 anos no Centro da Capital. Ela conta que já teve de mudar três vezes de estacionamento privado somente neste ano. “Não tem vaga, eles aumentam os valores e a gente não tem onde estacionar na rua. O trânsito está fluindo, mas não tem onde a gente estacionar”, comenta.

Segundo o titular da SCSP, o Paitt tem no projeto sobre os estacionamentos apenas o teste de tecnologias. “A nossa proposta era de testar alternativas para automatizar a zona azul e subsidiar uma expansão dessa área”. Segundo ele, foram testados o parquímetro, o SMS de celular e um aplicativo móvel. Depois de seis meses foi feito um relatório à Prefeitura que apontou o aplicativo móvel como sendo útil.

Na avaliação do engenheiro Mário Azevedo, professor Departamento de Engenharia de Transporte da Universidade Federal do Ceará (UFC), as intervenções por meio de binários são úteis, pois dão velocidade aos veículos, mas o tráfego de pedestres pode ficar prejudicado. “Avalio que o possível impacto negativo é o aumento da velocidade em vias de mão dupla. Não é ruim, mas ele pode se tornar um ponto de congestionamento e perigo para os pedestres”, afirma.

Na concepção do profissional a Prefeitura realiza muitas ações ao mesmo tempo, o que pode dificultar qualquer tipo de avaliação técnica em tempo útil. Azevedo sugere, ainda, que os órgãos de trânsito avaliem o número de linhas de ônibus e a disposição para cada bairro. “Pode ser que tenhamos linhas demais em locais desnecessários. Podemos racionalizar e alternar em bairros que realmente precisem”. O professor também aponta um reajuste de planos a curto, médio e longo prazo de mobilidade.

Para 2017

Conforme o coordenador do Paitt, Luiz Alberto Saboia, na primeira quinzena de janeiro do próximo ano, os gestores irão participar do seminário de planejamento do Plano para fechar as ações e programar o novo ano.

Para 2017, o gestor informou que serão expandidos 120Km de faixas exclusivas de ônibus, mais 150Km de ciclofaixas e o aumento de estações do programa bicicletar. Ainda segundo Saboia, a Prefeitura promete uma maior atenção com as calçadas de ruas e avenidas. “O próprio prefeito já vem nos instigando a discutir as calçadas. A gente começou agora a fase preparatória. Todos os técnicos estão buscando inspirações”, conclui.

Fonte: Diário do Nordeste