image-122 Cotidiano
Foto: Reprodução

Apartamentos de um condomínio do programa “Minha Casa, Minha Vida” inaugurado há menos de um mês pela Prefeitura Municipal foram invadidos na manhã desta terça-feira (3) em Fortaleza. As unidades fazem parte do Residencial Alameda Palmeiras, localizado no bairro Ancuri, que teve parte das moradias entregue em dezembro do ano passado.

A Secretaria Municipal do Desenvolvimento Habitacional de Fortaleza (Habitafor) não soube informar quantas casas foram ocupadas irregularmente durante a ação. Até a noite de ontem, após operação conjunta do órgão e da Guarda Municipal, 67 apartamentos haviam sido devolvidos à Prefeitura.

A reportagem acompanhou a retirada de alguns ocupantes irregulares dos apartamentos na manhã de ontem. Equipes da Guarda Municipal coordenaram o trabalho juntamente a funcionários da Habitafor e da empresa Direcional, responsável pelo empreendimento. As desocupações realizadas ocorreram sem conflitos. A ação continuará nesta quarta-feira (4).

Os ocupantes afirmaram ter invadido os blocos por necessidade de moradia e porque pessoas contempladas no sorteio dos apartamentos estariam demorando para pegar as chaves das unidades e tomar posse.

Uma das pessoas que participou da movimentação é dona de casa e disse que chegou ao local na noite de segunda-feira (2). Ela invadiu um apartamento no térreo de um dos blocos e alegou aos funcionários da Habitafor não ter onde morar com os filhos. “Eu saí da Bela Vista com meus meninos. Um deles tem necessidades especiais. Não tenho para onde ir. A gente veio para cá porque precisamos. Essas casas não estão sendo entregues a quem precisa”, declarou.

O proprietário de um dos apartamentos ocupados, o vendedor Leonardo Mota, disse não ter ido pegar as chaves na época do sorteio devido à falta de condições financeiras e por dificuldades de se mudar para o local. Ele ficou sabendo da invasão dos blocos habitacionais por meio da Internet. “Eu não tinha dinheiro para fazer a mudança. Meu filho estava na escola e precisava trocar. Não é simplesmente sair com tudo. A gente tem vida mesmo não tendo um lar”, defendeu. O Residencial Alameda Palmeiras possui 4.992 unidades, das quais 2.032 foram entregues no fim do ano passado. De acordo com a Habitafor, até o dia 31 de dezembro, foram registradas 1.700 mudanças para o condomínio. Os proprietários que ainda não estão vivendo no local têm até o dia 12 de janeiro para pegarem as chaves dos apartamentos.

“A partir da entrega das chaves, os apartamentos passam a ficar sob responsabilidade dos novos proprietários”, destacou o órgão em nota. “No ato de entrega das chaves, as famílias foram orientadas pelas equipes da Habitafor a realizarem as suas mudanças o mais rápido possível, a fim de evitar os riscos de ocupação irregular”, completou.

Mudanças

Sobre a invasão, a secretária executiva da Habitafor, Olinda Marques, que tomou posse da Pasta nesta semana, declarou que as equipes da Secretaria estão mobilizadas para convocar as famílias que ainda não se mudaram e acompanhar o processo. “Pedimos que as famílias se mudem imediatamente para os seus apartamentos, sob o risco de ocupação irregular”.

Cada unidade habitacional do Residencial Alameda Palmeiras mede 44,48 metros quadrados e é composta por uma sala, dois quartos, uma cozinha e um banheiro. O empreendimento também conta com área de lazer para crianças, salões para festas, quadras esportivas e academia da terceira idade.

FIQUE POR DENTRO

Sorteio prioriza mães e pessoas com deficiência

Assim como ocorre em todos os condomínios do programa “Minha Casa, Minha Vida”, o sorteio das unidades do Residencial Alameda Palmeiras, invadido ontem, segue modelo que prioriza mulheres chefes de família, pessoas com doenças crônicas ou com deficiência, e moradores de áreas de risco. O sistema começou a ser utilizado pela Prefeitura no ano passado. De acordo com dados do Município, 80% das pessoas que receberam as primeiras casas do condomínio, entregues em dezembro, eram mulheres.

Famílias

A movimentação no Residencial Alameda Palmeiras começou há alguns dias, e a justificativa dos ocupantes é falta de condições financeiras e o fato de sorteados não terem ido buscar as chaves; a Guarda Municipal volta a participar das ações de desocupação nesta quarta-feira.

Fonte: Diário do Nordeste