Confira 7 dicas para não viver endividado

Segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) ocorreu um aumento no número de endividados brasileiros no último mês de 2019. O levantamento realizado desde janeiro de 2010, apontou o maior número da série histórica em dezembro, chegando a 65,6% de famílias endividadas. O aumento em dezembro é comum, já que a época de festas e a liberação da segunda parcela do 13º salário instigam o consumidor a gerar mais dívidas. Ainda assim, há um aumento importante em comparação com o mesmo período de 2018, que indicava 59,8% de endividados, entre cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro.

Além dos altos índices de desemprego, a falta de educação financeira é um dos problemas que deixam o brasileiro na mão dos serviços de cobrança. “O dado surpreende, mesmo em períodos de crise, pois o ano de 2019 indicou uma recuperação econômica no país, ainda que lenta. Foram gerados 1 milhão de empregos e, mesmo assim, o número de endividados continua subindo. Muitas vezes o que leva alguém a se endividar está muito mais relacionado há como a pessoa organiza as finanças. Não aprendemos isso na escola, nossos pais também não. É preciso mudar essa cultura, desde a escola”, explica Fabrizio Gueratto, Financista do Canal 1Bilhão Educação Financeira. O Financista elencou alguns tópicos, falando sobre os principais caminhos que levam ao endividamento.

Gueratto aponta o cartão de crédito como o principal vilão da organização financeira. “Ele é o principal meio de endividamento do brasileiro. Com juros altíssimos fica muito fácil acumular dívidas. Primeiro, porque ele virou um sinônimo de falsa segurança. Se tudo der errado eu tenho um cartão de crédito. Na verdade, o problema só é jogado para frente, se transformando em uma bola de neve. Além disso, o cartão também vem se tornando uma questão de status, com pessoas tendo 2, 3, 4, 8 cartões só para demonstrar que podem e acabam se enrolando todos”, completa.

1) Cofre de emergência: O 1º passo para qualquer planejamento financeiro é ter um cofre de emergência. Isso significa que a pessoa precisa ter guardado no mínimo 6 meses do seu custo de vida em um investimento sem risco e que seja possível resgatar rapidamente, ou seja, liquidez diária, como o tesouro direto Selic ou CDB, por exemplo. Isso evita que, em uma situação emergencial, a pessoa use o limite do cartão de crédito e entre numa bola de neve;

2) Acompanhe os gastos através de um aplicativo de gestão financeira: Com os aplicativos de celular fica mais fácil ter um controle maior sobre as contas em tempo real. É preciso é criar o hábito de checar os gastos constantemente. Não adianta nada ter acesso aos dados se não se tem um controle sobre eles. Como é possível ver na pesquisa, hoje temos um número alto de endividados mesmo com o crescente acesso à essa tecnologia. Então o brasileiro precisa na verdade criar o hábito de acompanhar mais de perto os gastos no mês, para não ser pego de surpresa;

3) Planilha financeira: Faça uma tabela, seja no computador ou no papel. Coloque toda a sua fonte de renda e todos os seus gastos por mês. Depois dívida as receitas e as despesas entre as que são fixas e variáveis. É uma coisa simples, mas que pouca gente faz. Dessa forma, é possível ter um mapa das finanças, que vai permitir organizar melhor a entrada e saída de renda. Fica mais fácil estabelecer se existe alguma despesa que acontece todo mês que é muito alta e está quebrando o seu orçamento, por exemplo.

4) Evite fazer compras parceladas: As compras parceladas podem dar a ilusão de que o consumo no mês é menor do que a realidade. É preciso evitar ao máximo esse tipo de compra, principalmente as de longo prazo ou “a perder de vista”, pois se surgir uma emergência o consumidor pode ficar com pouco espaço para manejar o orçamento e se enrolar nas finanças. Comprar parcelado na prática significa antecipar um desejo de algo que você não pode ter naquele momento;

5) Veja a possibilidade de ter um cartão de crédito pré-pago: Com o cartão de crédito pré-pago fica bem mais fácil colocar as contas na ponta do lápis. Uma vantagem dele é que ele funciona como um meio termo entre o cartão de débito e o de crédito. É possível usá-lo para comprar em sites que só aceitam o crédito, por exemplo serviços de streaming, aplicativos para carregar créditos no celular e cartões de transporte público. Porém, a grande diferença é que você só poderá usar o valor que colocar nele antes de usar. Não existe o crédito rotativo;

6) Não utilize o cartão de crédito: Se não consegue mesmo controlar os seus gastos então o melhor a fazer é fugir da “tentação”. Os cartões de crédito são aceitos na maioria dos estabelecimentos tornando comum o uso de uma linha de crédito que deveria ser utilizada como emergencial. Este hábito é péssimo e vem levando a este crescente número de brasileiros endividados. Portanto é melhor não ter um para evitar maiores dores de cabeça depois. É cortar o mal pela raiz;

7) Negociar a dívida com opções de juros mais baixos: Caso tenha dívidas é importante ficar de olho nas taxas de juros. Sempre é possível negociar para obter taxas mais vantajosas. Na prática é trocar uma dívida mais cara por uma mais barata. O crédito consignado é debitado diretamente do salário. Portanto, possui um dos juros mais baixos do mercado já que a instituição financeira tem a segurança do pagamento da dívida. O que é preciso ter em mente é que não se pode comprometer muito o orçamento para não gerar novas dívidas. O ideal é checar o Custo Efetivo Total (CET) do financiamento, que inclui, além dos juros, todas as taxas envolvidas no processo. Dessa forma se torna possível comparar todas as propostas para definir a melhor alternativa.