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O prognóstico elaborado pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) indica 50% de probabilidade para chuvas abaixo da média para o trimestre fevereiro, março e abril de 2021 no Estado como um todo.

O estudo divulgado na manhã desta quarta-feira (20) aponta ainda 40% de chances de precipitações em torno da normalidade e 10% na categoria acima da normal climatológica.

Diante dos dados, a expectativa é que, durante os três primeiros meses da quadra chuvosa, o acumulado médio não ultrapasse os 433,1 milímetros. O cenário previsto pela Funceme se baseia nas análises das condições atmosféricas e oceânicas, além de resultados de tecnologias de previsão.

“Poucos modelos numéricos, incluindo globais e regionais, divergiram dos cenários que estamos apontando, isso nos dá uma segurança maior, porém o oceano Atlântico é uma bacia pequena em relação ao Pacífico, por exemplo, e por isso requer um monitoramento frequente”, comenta o presidente da Funceme, Eduardo Sávio Martins.

Os estudos realizados pelo órgão de pesquisa cearense apontam ainda uma diferença entre os acumulados esperados ao longo do território cearense. Para o centro-sul, são esperadas anomalias negativas e, no extremo noroeste, anomalias positivas, no período entre fevereiro e abril.

“Esse gradiente – diferença de chuvas em áreas do Estado – liga um sinal de alerta, pois mostra que regiões onde estão os grandes açudes poderão receber poucas chuvas, assim como no noroeste do Estado, que já costuma ser bem chuvoso, pode apresentar problemas como alagamentos”, explica o presidente da Funceme.

Condições climáticas e oceânicas

Atualmente, no oceano Atlântico Tropical Sul, observam-se áreas mais frias próximo à costa da África e até perto do litoral leste brasileiro, além do predomínio da Temperatura da Superfície do Mar (TSM) em torno da média (neutralidade) próximo à região equatorial. O oceano Atlântico Tropical Norte exibe predomínio de áreas mais aquecidas e em torno da média próximo à Linha do Equador.

“Esse cenário é o que aponta para uma maior chance de chuvas abaixo da média. Pois a tendência, neste momento, é que ele se perpetue. Nós realizamos diversas rodadas de análises e, em sua maioria, apontaram para um cenário não animador”, reforça Martins.

Resultados de modelos numéricos mostram que, no oceano Pacífico Equatorial Central e Leste, as temperaturas estão abaixo da normalidade, o que caracteriza o fenômeno La Niña.

Apesar da maior probabilidade de chuvas abaixo da normalidade (50%), é preciso considerar as demais chances, principalmente a de normalidade, que é de 40%. Para resultados mais positivos, o Ceará depende do aquecimento das águas do oceano Atlântico Tropical Sul, o que caracteriza o dipolo negativo.

Esse cenário poderia colaborar para chuvas mais ao sul do Estado, por exemplo, pois ajudaria para a aproximação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), principal sistema indutor de precipitações nesta época do ano.

Ações hídricas emergenciais

Segundo o secretário dos Recursos Hídricos, Francisco Teixeira, a gestão hídrica cearense vai continuar trabalhando para exercer um controle eficiente e eficaz da oferta e do uso da água do Estado do Ceará. “Com o início do Projeto Malha D’água em 2021, nós buscaremos reforçar a infraestrutura hídrica do interior do Estado, em especial ao Sertão Central que é a região que mais sofre com as secas, para garantir água para população urbana e rural”.

O secretário frisou ainda a continuidade do Programa de Poços, que evita a falta de água para a população rural e reforça o abastecimento urbano. Também estão em andamento as obras do Cinturão das Águas, dando início a operacionalização dos primeiros 53km para trazer água através dos Rios Salgado e Jaguaribe, água para o Açude Castanhão, o que reforça ainda mais a região do Baixo Jaguaribe e a região Metropolitana de Fortaleza. “O trabalho é para que todos os cearenses tenham o uso d’água garantidos através dessa diversificação hídrica”.

Monitoramento e previsão

Neste ano, a partir de um investimento internacional, a Funceme irá realizar rodadas de análises das condições oceânicas mais frequentes, o que vai permitir acompanhar com maior qualidade as possíveis variações do Atlântico.

“A Funceme, por meio do Banco Mundial e da Secretaria do Desenvolvimento Agrário, fortaleceu o monitoramento do Atlântico através da manutenção das bóias meteoceanográficas e, futuramente, até expandir o número delas. Estes equipamentos ”, comenta Martins.

A próxima rodada dos modelos ocorrerá próximo ao dia 11 de fevereiro. E, no fim do próximo mês, como já é de costume, a Funceme divulgará a previsão de chuvas para o trimestre março, abril e maio.

Parceria

Além dos pesquisadores locais, participaram deste da discussão dos resultados instituições como a Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac), Instituto Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia (Inema), Secretaria Estadual de Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos do estado do Piauí (Semar), Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (Emparh), CPTEC (Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (Uece).

Participaram também pesquisadores do Centro Europeu de Previsão de Tempo e Clima (ECMWF) e do Karlsruhe Institute of Technology (KIT), além de técnicos da Agência Nacional das Águas (ANA).