De acordo com o Movimento Nacional dos Catadores de Recicláveis, no Brasil, cerca de 90% do lixo reciclado é fruto do trabalho de catadoras e catadores. Não é à toa que o número de municípios com coleta seletiva aumentou 29% entre 2010 e 2019, segundo o Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2020, da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe). Pensando em tornar a coleta seletiva uma responsabilidade coletiva para toda a comunidade, estudantes do Colégio da Polícia Militar Coronel Hervano Macedo Júnior, em Juazeiro do Norte (CE), criaram o projeto Reciclando Práticas. A iniciativa foi premiada na 5ª edição do Desafio Criativos da Escola, organizado pelo programa Criativos da Escola, do Instituto Alana.

Foi após um debate na aula de português que os estudantes começaram a pensar em um trabalho de conscientização ambiental e territorial a partir da realidade de catadores e catadoras da cidade. Ao realizarem pesquisas de campo, questionários e conversas com esses profissionais, eles perceberam que havia muito preconceito e falta de informação em relação ao trabalho de reciclagem. Os alunos decidiram organizar um cadastro com os profissionais e fazer um cronograma de coletas. Dessa forma puderam apresentar aos moradores da comunidade o processo de separação correta do lixo e, assim, apoiar a coleta seletiva.

O projeto ajudou a transformar a cidade e os moradores não sofreram mais com resíduos plásticos e nem lixos revirados. O trabalho dos catadores também foi otimizado, pois os alunos colocaram adesivos para identificar as casas que faziam a coleta seletiva. Além disso, a iniciativa forneceu aos catadores materiais como luvas, blusas com mangas para evitar o sol, chapéus e outros utensílios para tornar o trabalho mais seguro, dessa forma, acidentes com cortes se tornaram raros. Quando for possível, os estudantes pretendem instalar na escola pontos de coleta de óleo e de pilhas, materiais que precisam ser descartados com cuidado.