Pesquisadoras do Departamento de Enfermagem da Universidade Federal do Ceará (UFC) criaram um aplicativo de celular voltado à prevenção da incontinência urinária, caracterizada pela perda involuntária de urina. A condição atinge cerca de 10 milhões de brasileiros, de acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia, mas a prevalência é maior nas mulheres, que apresentam mais fatores de risco.

O aplicativo, chamado Continence App, contou com a contribuição de profissionais da enfermagem, medicina e fisioterapia. Busca sensibilizar as mulheres, sobretudo aquelas em período pós-parto, com informações acerca da disfunção e de sua prevenção. Para tanto, as pacientes aprendem, por meio do celular ou tablet, exercícios fundamentais para ajudar no fortalecimento dos músculos do assoalho.

O foco nas puérperas se dá porque a gravidez e o parto são fatores de risco, assim como outras condições, como obesidade e tosse crônica, devido à pressão exercida sobre o assoalho pélvico. “Tudo que aumenta a pressão intra-abdominal favorece o surgimento da incontinência”, diz a Profª Camila Vasconcelos, uma das coordenadoras da pesquisa.

Segundo ela, há uma soma de fatores para que a condição apareça. “O esforço do parto em si, ainda mais se o bebê tiver 4 quilos ou mais, e os altos índices de massa corporal da mulher são fatores agravantes”, esclarece. Além da incontinência, outras disfunções podem surgir, como o prolapso (exteriorização) dos órgãos pélvicos, distúrbios anorretais e disfunções sexuais.

CONTINENCE APP
O aplicativo surgiu durante o desenvolvimento do projeto de mestrado da estudante Dayana Saboia. Ela explica que as usuárias seguem um programa de 12 semanas com exercícios progressivos, controlados por tempo, além de receber informações sobre anatomia e sobre a própria incontinência. “Fizemos revisão de literatura e vimos que estudos internacionais mostram o exercício muscular como principal intervenção para evitar a incontinência”, conta.

Há quatro seções no Continence App. Na primeira, as mulheres podem conhecer o tema, compreendendo os sintomas da incontinência e a estrutura pélvica. Depois, aprendem técnicas de treino muscular e identificam as regiões do corpo que precisam fortalecer, para só então iniciar os exercícios. Por fim, são dadas dicas de alimentação e comportamento saudáveis, bem como de posturas corretas para o dia a dia.

A ideia do aplicativo é oferecer às mulheres condições de conhecer o próprio corpo e difundir técnicas de prevenção como alternativa às intervenções cirúrgicas. “A maioria das mulheres desconhece o assoalho e não sabe exercitá-lo. Fora do Brasil, é comum haver essa orientação sobre o fortalecimento do músculo já no pré-natal”, diz a Profª Camila.

Com isso, as pesquisadoras buscam uma mudança na perspectiva de tratamento, quase sempre realizado quando a condição já está instalada, e apostam no aplicativo como forma de promover a prevenção entre as mulheres mais jovens. “Pressupomos que, como são gestantes geralmente jovens, elas têm facilidade de usar o app. É um público mais receptivo à tecnologia e à prática de se tocar”, diz a Profª Mônica Oriá, também integrante da pesquisa.

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Agência UFC