Quem passava pelas ruas do Conjunto Curió na manhã desse sábado (17), ouvia aquele som de 7 de setembro. Alguns achavam estranho, afinal a data de desfile da independência já tinha passado. O som dos tambores e de cada pisada, soavam pelas ruas do bairro como um grito de ordem pela paz e justiça. Um grande batalhão levando em suas mãos uma cruz com os nomes das vítimas do dia 11 de novembro, dia da chacina da grande Messejana.

Foi esse novo significado que a escola Terezinha Parente trouxe para o tradicional desfile de independência.  A mudança da data foi uma homenagem preparada para as vítimas.

Adriano Silva, diretor e professor da escola, relata a intenção do desfile “A ideia foi levar para as ruas a temática “Justiça e Paz se Abraçarão”, para que as pessoas pudessem ver que violência não leva a nada. Esse desfile é em homenagem a todas as vítimas da chacina e um momento para ser lembrado como um ato de paz. Como instituição escolar, devemos educar nossos alunos pelos valores cívicos e também sociais”, comenta.

Aos olhos dos moradores, cerca de 1.200 alunos marcharam pelas ruas do bairro. Divido em vários pelotões, os estudantes homenagearam as vítimas passando pelos locais em que foram executadas. Um dos pelotões desfilou com cruzes e com os nomes dos mortos. Em outro, algumas mães das vítimas vestindo camisetas estampadas com fotos e nomes dos filhos.

A escola em homenagem a uma das vítimas, Pedro Alcântara Filho, resolveu renomear a banda de percussão fanfarra para PAF, letras inicias do nome do aluno.

Em meio ao som da independência pelas ruas da região, a população se emocionou com cada homenagem.

Confira as fotos: