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O presidente do PSB, Carlos Siqueira, afirmou nesta sexta-feira (24) que as acusações proferidas pelo ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro, apontam que o presidente Jair Bolsonaro cometeu crime de responsabilidade e abre caminho para o impeachment.

Assim que a coletiva de Moro acabou, Siqueira apontou o deputado federal e líder da bancada na Câmara, Alessandro Molon, como responsável para avançar com as negociações sobre de como se darão os próximos passos na crise.

Para Siqueira, Bolsonaro incorreu ao menos em três crimes: falsidade ideológica, (tipo de fraude que consiste em adulterar um documento, público ou privado) quando disse que não assinou o decreto e exoneração de Marcelo Valeixo, agora ex-diretor da PF.

Juristas apontam também que o presidente teria cometido improbidade e tentativa de obstrução de justiça, ao pressionar que o diretor da PF interferisse em inquéritos que correm em segredo de justiça no Supremo Tribunal Federal (STF).

Acusando o presidente de interferir nas operações de investigação da PF, Moro fez uma série de revelações sobre a tentativa de Bolsonaro de controlar as ações da corporação.

Segundo Moro, as tentativas de troca de comando começaram a partir do segundo semestre de 2019, quando passou a haver insistência por parte do presidente para realizar a troca do diretor-geral da Polícia Federal e do superintendente da PF no Rio de Janeiro. Ele disse, ainda, que pediu uma causa para a substituição e que chegou a ouvir que a razão era, de fato, “política”.

O ex-juiz ainda defendeu a autonomia da PF como um valor a se preservar em um estado de direito e reiterou que Bolsonaro fez inúmeras tentativas de interferir e promover mudanças na corporação, algo que considerou inadequado. “O grande problema não é por quem, mas porque trocar. Sinto que tenho o dever de proteger a Polícia Federal”, disse em outro trecho de seu pronunciamento.